A impostora

Por Dra. Rafaela Petroli Frizzo, Psicóloga na Ethos – Clínica de Psicologia, Porto Alegre

Quantas vezes sentimos que estamos enganando as pessoas a nossa volta ou a nós mesmos? Alguma vez você já se sentiu familiarizado com esta sensação? Quantas vezes sentimos vergonha de fazermos algo inadequado? E o pior, para fugir desse sentimento, passamos a utilizar máscaras que muitas vezes são exaustivas para nós. O resultado?

Acabamos em um esgotamento emocional tão grande que, ao invés de buscarmos a nossa espontaneidade ou estarmos menos focados no medo da avaliação, nos escondemos e evitamos a dor até que possamos nos recuperar e interpretar novamente os papéis já tão conhecidos por nós.

Para tentarmos lidar com a sensação de inadequação e sentimento de vergonha, muitas vezes estabelecemos metas utópicas em nossas vidas. No entanto, podemos passar grande parte de nossas vidas lutando para conquistar estas metas e percebemos que, por vezes, não nos livramos desta sensação e sentimento. Ficamos verdadeiramente felizes e plenos ao conquistarmos aquilo que almejamos? Desejo o que tenho? Ou passo a vida desejando ter o que não tenho?

Quando temos a sensação de sermos impostores, inadequados e defeituosos o sentimento que mais corre ao nosso lado é a vergonha. A vergonha de sentirmos o que sentimos, ser o que somos e de nos sentirmos expostos. Fazemos de tudo para manter isto escondido dentro de nós. Afinal, ninguém pode saber o quão defeituosos nos somos, ou melhor, pensamos ser.

É possível mudar isso dentro de mim? Como posso fazer?

Acolhendo nossa vulnerabilidade, tendo autocompaixão e cuidando de nós mesmos e daquilo que sentimos. Observar os nossos comportamentos e o que nos faz evitar esses sentimentos ou compensa-los com comportamentos que não são saudáveis para nós.

Precisamos evitar os comportamentos de fuga e contra ataque, sairmos do modo defensivo de viver e enxergar o mundo. Com o passar do tempo, aprendemos a não nos defender e aceitar quem somos de verdade e acreditar que somos dignos de amor e afeto. Lutar com estas crenças não são fáceis, mas são a nossa única chance de viver uma vida mais feliz. Um autor desconhecido escreveu “aceite sua vulnerabilidade, vença a vergonha e ouse ser como é, para aspirar uma vida mais plena.” É o que todos nós queremos!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *