E se a vida fosse brisa passageira?

Por Francisco Crauss, psicólogo da Crauss Psicologia Cognitiva.

Minha preocupação não é com a morte. A morte é coisa certa. Mas a vida não. A vida é incerta, tão incerta quanto a necessidade de aprender a fórmula de Bhaskara no colégio. Ninguém entende o porque, de fato. A vida é uma faísca no espaço temporal. Nossos 80 anos de vida parecem infinitos quando temos 20 e poucos anos. Aos 60 perguntamos como que passou tão rápido e o que fizemos neste tempo todo. Vivo com a perspectiva de que a vida é um filme que acaba no final, não tem tantas sequências quanto o filme do Rambo. Ao ser amigo da finitude não me permito desperdiçar minha faísca. Quantas vidas são desperdiçadas em empregos sem sentido, relacionamentos frustrados, em “depois eu faço”, “depois eu digo”… Sim, vamos morrer e, surpresa: não sabemos quando. Pode ser amanhã, com 80 anos ou até mesmo com 100. A vida é brisa passageira, como diria a música. A morte é coisa certa, não é minha preocupação. Me preocupa levar uma vida que não valeu a pena ser vivida. Que minha faísca temporal tenha passado de forma banal, fútil, superficial ou rasa.

“Hoje aqui, amanhã não se sabe, vivo agora antes que o dia acabe” – Titãs

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