Mãe, seu filho pode ficar triste e chorar

Por Adriana Teixeira Fraga psicóloga que atende na Crauss Psicologia.

Existe na nossa cultura uma luta contra alguns sentimentos e sensações, como raiva, tristeza, medo e também contra algumas manifestações deles, principalmente o choro e a brabeza. Porém, é importante dizer que não existem sentimentos bons ou ruins, existem sentimentos, sensações e todos estes são inerentes a existência humana e tem a sua função de existir.

Quantas vezes você fez a vontade do seu filho para que ele não chorasse, mesmo sabendo que não seria o melhor a fazer?
Quantas vezes você cedeu a um pedido dele(a) para que ele não o rejeitasse ou a chamasse de “feia” e fizesse aquele beiço?
E quantas vezes você comprou algo que ele queria, mesmo não cabendo no seu orçamento para evitar aquele ataque de birra em público?

Sem contar aquelas típicas frases: -Engole o choro. -Isso não é motivo para chorar. -Homem não chora. -Tá chorando por quê? -Isso não foi nada. -Se tu parar de chorar eu te dou…
Porque reforçamos o comportamento de reprimir alguns sentimentos? Realmente acreditamos que é bom que nossas crianças reprimam o que estão sentindo ou simplesmente não nos percebemos fortes para vê-los sentir?

Ao premiar as crianças por não chorarem, por serem sempre fortes e corajosas, por serem sempre destemidas, estamos dizendo nas entrelinhas que o nosso amor é condicional, que ele(a) só é amado e aceito quando está feliz ou quando deixa de botar para fora sentimentos que você mãe não da conta de vê-lo sentir.

Dito isso, o que fazer então quando seu filho(a) chora desesperado porque quer um carrinho de controle remoto ou uma boneca que só não respira, que custa a metade do seu salário?

Nomeie e valide o sentimento dele. Diga a ele que ele está triste, que você compreende a tristeza dele que sabe o quanto aquele carrinho/boneca é legal e o quanto ele gostaria de tê-lo, que ele(a) pode chorar por isso, que você o ama da mesma maneira, ainda que ele fique bravo com você por não realizar o seu desejo. Nunca julgue o sentimento e os medos do seu filho(a). O que parece pouco para você pode ser grande para ele. Abrace-o forte, contenha e acolha o sentimento do seu pequeno, que a partir de atitudes como esta vai ter lições importantes a serem aprendidas:
– Eu não posso ter tudo;
– Eu posso ficar chateado quando não consigo algo;
– Eu tenho alguém que me ama independentemente do que eu expresso;
– Eu não sou premiado quando eu faço birra;
– Eu tenho limites.

Junto a isso, o ajude a construir valores importantes, tenha coerência no seu discurso e atitudes. Fale sobre emoções e sentimentos, ajude-o a reconhecer cada emoção que ele experimenta, deixe-o gargalhar, mas também o permita soluçar.

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