O fim da baleia azul acabou também com os comportamentos autolesivos entre os jovens?

Por Fernanda Pazzim, psicóloga na Crauss Psicologia.

Hoje em dia pouco se fala do furacão midiático que foi o desafio da baleia azul, uma brincadeira que nos fez abrir os olhos para uma prática comportamental que já existe há muito tempo. O desafio viralizou de tal forma, que fez com que saíssemos da nossa zona de conforto para pensar sobre esse tema importantíssimo: por que pessoas tão jovens se cortam? O que leva um adolescente a ter tal atitude?

Precisamos então, compreender que a adolescência é um período da vida que apresenta mudanças significativas, sejam elas na escola, onde aumenta-se o número de matérias e professores, no corpo, na voz, na rotina… muitas vezes, o adolescente enxerga-se sozinho diante dessas alterações e isso pode gerar muita dor e sofrimento, fazendo com que falte estratégias adequadas para lidar com seus sentimentos.

Uma forma que o adolescente encontra para extravasar todo esse sentimento é através do comportamento autolesivo, que é caracterizado por ações corporais em si próprio, gerando dano físico de grau leve a grave, sem que haja intenção consciente de suicídio. O comportamento mais comum e frequente é o corte, porém precisamos estar atentos a outros tipos de comportamento, como arrancar pelos, mordidas que causam fortes lesões na pele e outros.

Muita gente acabou associando o comportamento autolesivo com o desafio da baleia azul, pensando que alguns jovens cortavam-se porque estava na moda, mas o sofrimento que carrega um adolescente que se sujeita a entrar numa “brincadeira” como essa, precisa ser validado, para que assim, diminuía-se a incidência de suicídio entre jovens e adolescentes.

Atualmente a taxa de suicídio de jovens no Brasil segue uma linha crescente e embora o comportamento autolesivo não tenha relação direta com o suicídio, a chance de um jovem que possui esse comportamento cometer o suicídio é muito maior do que de um adolescente que não tenha.

Identificar esse comportamento auxilia na prevenção de doenças como depressão, transtornos de personalidade e outros. Por isso, caso conheça alguém que possua esse tipo de comportamento, o indicado é aconselha-lo a procurar um auxílio profissional.

Dicas importantes:

  • A relação com os pais desde a infância pode ter influência sobre esse comportamento.
  • Os pais podem, de forma preventiva, procurar auxílio profissional para conhecer práticas educativas saudáveis.
  • O descaso com o sofrimento desses jovens, potencializa os sintomas e aumenta o risco de suicídio.
  • Não falar sobre o assunto, não soluciona o problema

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