Que máscara você vai tirar nesse carnaval?

Por Francisco Crauss, Psicólogo na Crauss Psicologia.

Carnaval é uma época de exageros. As etimologias populares afirmam que a palavra vem da expressão do latim “carne vale”, que significa “adeus à carne”, significando o período de jejum que se aproxima (a quaresma que antecede à páscoa, que é feito por jejum, caridade, orações e a abstinência de carne). Bom, todos sabemos que esta cristianização do carnaval não ocorre mais assim, ficamos somente com a parte prazerosa do negócio: o exagero e os prazeres. Neste período é comum o abuso de álcool, carnes, a libertação das fantasias, a libertação da sexualidade e tantas outras loucuras que nos permitimos somente neste período. Bom, nenhum problema nisso, afinal, tem coisa melhor do que nos sentirmos livres? Na minha opinião, não. A liberdade é o bem precioso que nos tiram quando cometemos nosso pior crime, então é realmente valiosa. Diferente de liberdade é o exagero dela. Não é incomum que as pessoas abusem de sua liberdade desrespeitando a liberdade e os direitos dos outros. Na ânsia de expressar toda a sua liberdade de cometer os exageros que bem entender, muitas pessoas podem forçar outras a participar de coisas que não querem. Usando a permissividade do carnaval, ocorrem as violências e assédios, acidentes, agressões. Cuidado, meu amigo, o “não” continua sendo “não”. A máscara de carnaval não permite que você exagere com os outros. Que ótimo podermos nos libertar, ser aquilo que não conseguimos ser diariamente. Numa época de libertação, libertamos aquilo que temos guardado: uns com alegria/amor, uns com violência/agressão. Talvez o carnaval não seja a época em que vestimos as máscaras, mas exatamente o período em que mostramos exatamente o que temos por dentro.

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